Tesouro Direto volta ao centro das carteiras em um cenário de juros elevados

Tesouro Direto volta ao centro das carteiras em um cenário de juros elevados

Em um cenário de juros elevados, como o atual, o Tesouro Direto passa a ser uma opção interessante para os investidores, independentemente do perfil de risco. É um investimento que oferece previsibilidade, segurança e retorno potencial competitivo em comparação com outras alternativas de renda fixa.

Como a taxa Selic ainda se encontra em patamares altos, títulos como Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ podem ser estratégicos para compor diferentes perfis de carteira, como reserva de liquidez ou planejamento de longo prazo.

Para os investidores, é fundamental compreender as características de cada um desses títulos para tomar decisões de investimento mais embasadas. Por isso, neste artigo, apresentaremos as diferenças entre os títulos do Tesouro Direto, explicaremos por que eles ganham destaque no cenário atual e mostraremos o impacto da taxa de juros no rendimento dos títulos.

Embora informativo, este conteúdo não é uma recomendação de investimento.

Por que o Tesouro Direto ganha destaque em juros elevados?

O Tesouro Direto volta ao centro das carteiras de investidores em cenários de juros elevados porque passa a apresentar retornos altos com risco baixo. Muitas vezes, entrega ganho real (acima da inflação), a depender do título, que compete com a renda variável e pode chegar a superá-la.

A primeira vantagem é que os juros altos turbinam a rentabilidade de títulos indexados à Selic e ao CDI, trazendo um ganho real bastante expressivo para a renda fixa.

Combinado com a segurança e a previsibilidade maiores do que a renda variável (já que os títulos contam com a garantia do Tesouro Nacional). Isso torna o Tesouro Direto bastante atrativo.

Diferenças entre Tesouro Selic, Prefixado e IPCA+

Todos esses títulos são de renda fixa e negociados na plataforma do Tesouro Direto. Porém, cada um tem particularidades e se alinha a objetivos financeiros e estratégias de investimento distintos.

O Tesouro Selic tem rentabilidade pós-fixada, indexada à taxa Selic. Trata-se de um investimento de curto prazo, que oferece segurança, baixa volatilidade e alta liquidez.  

Já o Tesouro Prefixado apresenta rentabilidade fixa, combinada previamente, de modo que o investidor já sabe quanto vai receber de antemão. Ele existe em duas modalidades: a com juros semestrais e a com pagamento em parcela única no vencimento.  

O Tesouro IPCA+ é um título cuja rentabilidade é híbrida: uma parte dela é prefixada e a outra pós-fixada, indexada ao IPCA. Portanto, é um título que protege o capital investido contra a inflação, preservando o poder de compra ao longo do tempo. Ele também pode ser pago com juros semestrais ou em parcela única.

Impacto das taxas de juros no rendimento dos títulos

As taxas de juros têm uma relação direta com o rendimento dos títulos de renda fixa, mas essa relação funciona de duas maneiras diferentes, dependendo se o investidor mantém o título até o vencimento ou se o vende antes.

Se o título for mantido até o vencimento, o impacto é menor, porque o investidor receberá a rentabilidade contratada no momento da aplicação, sobretudo no caso do Tesouro Prefixado e do Tesouro IPCA+. Nesse caso, a oscilação das taxas afeta mais o valor de mercado do título do que o rendimento final.

Se o título for vendido antes do vencimento, ele sofrerá marcação a mercado. O impacto será direto: juros em alta levam a uma queda do valor do título, enquanto juros em queda levam a um aumento do valor do título.

Por isso, títulos prefixados e indexados à inflação são mais sensíveis às mudanças na taxa de juros do que títulos pós-fixados (como os do Tesouro Selic). No fim das contas, funciona assim:

  • Prefixados: são mais sensíveis, alta nas taxas reduz os preços e eleva o yield;
  • Pós-fixados (atrelados à Selic): o rendimento segue diretamente as taxas de juros;
  • Híbridos (IPCA+): combinam inflação e juros, com sensibilidade moderada à variação dos juros.

Como integrar o Tesouro Direto à composição da carteira?

Para integrar o Tesouro Direto à carteira de investimentos, é importante alinhar os diferentes tipos de títulos aos objetivos financeiros, ao horizonte de investimento e ao perfil de risco.

Ele deve atuar como âncora de renda fixa segura e estratégia para diversificação, uma vez que reduz a volatilidade e confere previsibilidade ao portfólio. Pode, inclusive, complementar investimentos de renda variável como ações ou FIIs, sobretudo em cenários de Selic em alta.  

Riscos e vantagens de investir em títulos públicos

Títulos públicos como os do Tesouro Direto são bastante seguros, mas apresentam riscos como marcação a mercado no caso de resgates antecipados, exceto no caso do Tesouro Selic, que tem liquidez diária.

Entre as principais vantagens estão a previsibilidade, a estabilidade, a acessibilidade e a rentabilidade atrativa em cenários de juros elevados. Já os riscos envolvem tributação e possível volatilidade de preços no caso de venda antes do vencimento.